Mercadoria do Amor


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Mercadoria do Amor

Maio, 1870

– Oh!Deus! Não, não. Por quê? – Adele dizia sem parar.

– Adele, calma, o que está aconteceu, querida?

– Minha vida se tornou uma eterna escuridão – ela segurava a saia de seu vestido.

– Não diga isso, minha filha. Explica-me sem hesitar o que está te assombrando – implorava sua mãe.

– Hoje, após a limpeza do grande jardim da mansão dos Tavares, o senhor João Pedro veio falar-me – Adele suspirou, limpou algumas lágrimas que insistiam em cair de seus grandes olhos verdes – disse-me mamãe, que está apaixonado e não irá dar-me mais tempo.

– Apaixonado? – interrompeu dona Matildes.

– Sim, apaixonado. Disse ainda que nada, nem ninguém impedirá suas ações. – ficou calada um momento e olhou fixamente para a mãe -João Pedro me pediu em casamento.

– Casamento? – dona Matildes parecia em choque.

– Oh! Meu Deus! – A menina quase mulher levantou as mãos aos céus numa suplica espantosa.

– Filha minha, esse amor é impossível, impossível – dona Matildes andava de um lado para outro – impossível, impossível.

– Eu sei mamãe. Contarei a João Pedro o que seu pai me tornou.

Adele levantou o vestido e era nítida a marca ferrada em sua coxa interna. A marca que um dia o patriarcal Sr. Tavares transformou-a em mercadoria.

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