Coração Dilacerado


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Coração Dilacerado

As flores que me alegravam nas manhãs de primavera com sua beleza aprimorada e perfume adocicado, já não me comoviam mais. O sol antes majestoso que me recebia tão especialmente corando minha face, não aquecia mais a alma.

Descobri na inocência de um olhar que um dia pertenci a outro amor. Cativei um coração com o mais simples gesto de um ser que não foi suficientemente forte para entender a simplicidade de amar. Ou será que amei demais?

Quando você surgiu diante de mim parecia um anjo caído do céu. Resplandecia ouro, no que era mais perfeito de um conto de fadas. Não tive dúvidas nem questionamentos. Abandonei aquele coração que já pertencia à outra e o dilacerei sem remorsos deixando-o agonizar num mundo gélido e sombrio.

Entreguei-me ao novo, o qual julgava eterno, entretanto nos caminhos tortuosos que me direcionava ao desconhecido o destino pregou nova peça ou ensinou-me a viver.

Aquela em que pensava ser o motivo do meu respirar, do meu acordar e adormecer, tornou-se a razão do meu chorar, das noites em claro sonhando com o toque de seus dedos, o calor do seu corpo, o cheiro de sua pele, o timbre emitido de seu coração, quando seu corpo nu entregue as sensações mais selvagens e eróticas transcenderam a paixão.

Salvo engano dos meus sentimentos. Agora era a minha vez de dilacerar esse coração.

O homem que antes graciosamente levantava alguns centímetros de seu chapéu para mostrar a perfeição de seus cabelos, agora segurava-o desesperadamente entregue numa dor somente dele: a ausência do passado e a permanência do que parecia um amor adolescente.

“A vida não era injusta. Ele que não sabia vivê-la”.

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